Política

Senado intensifica aprovação de acordos internacionais para fortalecer comércio exterior brasileiro

Publicado em 22/07/2026 às 20:05

Como resposta ao avanço de medidas protecionistas e tarifas unilaterais no cenário global, o Senado Federal intensificou a votação de tratados internacionais no primeiro semestre de 2026. Até o mês de junho, a Casa aprovou 16 acordos multilaterais, volume superior à soma dos primeiros semestres de 2024 e 2025. O movimento visa expandir as fronteiras comerciais do Brasil e garantir maior estabilidade econômica.

Parceria histórica com a União Europeia

O principal destaque do período é o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que estava em negociação há 26 anos. O tratado entrou em vigor em maio de 2026, após aprovação célere no Congresso Nacional e promulgação pelo Executivo. Com a medida, o bloco europeu eliminou de imediato as tarifas sobre 80% dos produtos industriais sul-americanos.

No setor agrícola, diversos produtos brasileiros ganharam livre entrada na Europa. O café não torrado, segundo principal item de exportação do Brasil para a União Europeia — que movimentou US$ 7,8 bilhões em 2025 —, teve sua tarifa média de 4,2% zerada. A expectativa de especialistas vai além do comércio de mercadorias: projeta-se um aumento significativo na atração de investimentos europeus para o país, trazendo mais segurança jurídica e diversificação econômica.

Abertura de novos mercados na Europa e Ásia

Além da União Europeia, o Senado deu aval a outros dois importantes tratados do Mercosul:

  • EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio): O acordo com Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça garante que 99% das exportações agrícolas e industriais do Mercosul entrem nesses países sem tarifas. A medida abre espaço para diversificar a pauta exportadora brasileira, hoje concentrada em ouro e óxido de alumínio.
  • Singapura: Sexto maior comprador de produtos brasileiros em 2025, o país asiático concederá isenção tarifária total para as exportações do Mercosul. Em contrapartida, o bloco sul-americano reduzirá gradualmente as tarifas de produtos de Singapura ao longo de 15 anos, preservando setores estratégicos como máquinas e plásticos.

Diálogo contra o isolamento global

O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Nelsinho Trad (PSD-MS), destacou à Agência Senado que a atuação do colegiado buscou dar suporte aos setores produtivos nacionais diante de uma conjuntura internacional mais instável. Segundo o parlamentar, a resposta ao protecionismo de grandes potências deve ser o reforço do diálogo bilateral e o estreitamento de laços com outros parlamentos.

A análise é compartilhada por Lia Valls Pereira, pesquisadora e professora da Faculdade de Economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Ela aponta que o enfraquecimento de órgãos multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), tem levado os países a buscarem acordos diretos para assegurar seus mercados.

Outras cooperações aprovadas

O pacote de votações do primeiro semestre também incluiu tratados de cooperação técnica, científica e de defesa com nações como Benin, Catar, Eslovênia, Fiji, França, Índia e Tunísia. No campo ambiental, a aprovação de um dos projetos viabilizou a realização da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias, sediada em Campo Grande (MS) no mês de março.


Fonte consultada: www12.senado.leg.br. Texto editorial produzido pelo SeligaMT a partir de informações autorizadas.

Nota editorial: conteúdo publicado automaticamente a partir de fonte autorizada e sujeito a atualização pela equipe.

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