A Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado Federal intensificou as articulações para mitigar os impactos das novas exigências da União Europeia (UE) sobre as exportações da carne brasileira. Em reunião realizada nesta terça-feira (4), o grupo de trabalho que acompanha o Acordo Mercosul-União Europeia definiu uma agenda de ações que inclui reuniões com a representação diplomática europeia e um canal permanente de diálogo com pecuaristas e agroindústrias.
A mobilização ocorre a cerca de um mês da entrada em vigor de novas normas europeias que restringem o uso de antimicrobianos na criação de animais. Pelas novas diretrizes, os exportadores brasileiros precisarão comprovar que os rebanhos não consumiram substâncias proibidas pelo bloco europeu, o que exigirá um sistema robusto de rastreabilidade desde a origem até o produto final.
Critérios científicos e tecnologia nacional
Durante o debate, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), representada por Fernanda Maciel Carneiro, defendeu que as barreiras comerciais sejam discutidas sob bases científicas. Ela destacou que o Brasil já cumpre protocolos rigorosos exigidos por diversos mercados globais e cobrou clareza sobre os pontos que ainda impedem a validação plena do sistema sanitário nacional pelos europeus.
Por outro lado, o setor de tecnologia assegura que o país tem ferramentas para cumprir as exigências. Especialistas da MUU Agrotech, como Kalbio dos Santos e Eduardo Pipole, apontaram que soluções tecnológicas já existentes podem ser aplicadas para modernizar o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov), garantindo o controle necessário sem inviabilizar a produção.
Diplomacia e planejamento de longo prazo
O embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva, chefe da Missão do Brasil junto à UE, alertou que as exigências ambientais e sanitárias são uma tendência permanente do mercado europeu. Ele sugeriu uma aproximação imediata com o novo embaixador da UE no Brasil para alinhar os processos de auditoria que certificarão a separação dos produtos destinados ao bloco.
O presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), reforçou a importância da diplomacia parlamentar para proteger os produtores brasileiros de tratamentos desiguais no comércio internacional. Paralelamente, o Ministério das Relações Exteriores, por meio do embaixador Philip Fox-Drummond Gough, informou que o Ministério da Agricultura já encaminhou relatórios técnicos detalhando as garantias sanitárias do Brasil às autoridades europeias.
Fonte consultada: www12.senado.leg.br. Texto editorial produzido pelo SeligaMT a partir de informações autorizadas.
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