Política

Debate sobre cotas em residência médica divide opiniões no Senado

Publicado em 19/08/2026 às 04:50

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal foi palco de um intenso debate nesta terça-feira (18) sobre a aplicação de cotas nos processos seletivos para residência médica. A audiência pública discutiu o Projeto de Lei (PL) 452/2025, de autoria do senador Dr. Hiran (PP-RR), que visa proibir a reserva de vagas para ações afirmativas nessa etapa da formação dos profissionais de saúde.

De um lado, defensores das cotas sustentam que a medida é essencial para combater a sub-representação histórica de negros e indígenas na medicina. O senador Paulo Paim (PT-RS), que presidiu a sessão, posicionou-se contra o projeto de lei, classificando as ações afirmativas como ferramentas de correção social e de ampliação de oportunidades, e não como privilégios.

Dados apresentados por Jerzey Timoteo Ribeiro Santos, representante do Ministério da Saúde, apontam que, embora a população negra represente 55,5% dos brasileiros, apenas 4,7% dos estudantes de medicina e 16% dos cirurgiões pertencem a esse grupo. Representantes do Ministério da Igualdade Racial e da União Nacional dos Estudantes (UNE) também reforçaram que as cotas na graduação não são suficientes para eliminar as barreiras enfrentadas pelos estudantes ao longo de suas trajetórias profissionais, defendendo que a especialização também deve ser inclusiva.

Por outro lado, críticos da reserva de vagas na residência médica argumentam que o ingresso nessa fase deve se basear estritamente em critérios técnicos e de mérito acadêmico. O autor do projeto, senador Dr. Hiran, afirmou que, embora apoie as cotas na graduação, a residência exige um nível diferenciado de responsabilidade direta sobre a vida dos pacientes.

Essa visão foi compartilhada por Alcindo Cerci Neto, do Conselho Federal de Medicina (CFM), que defendeu que a seleção para especialização não deve fazer distinção entre os candidatos com base em sua forma de ingresso na faculdade. Raul Cutait, professor da Universidade de São Paulo (USP), e Gabriel Sanchez Okida, da Associação dos Estudantes de Medicina do Brasil, também enfatizaram a necessidade de priorizar a competência técnica e o desempenho acadêmico, apontando que o residente lida diretamente com o atendimento à população.


Fonte consultada: www12.senado.leg.br. Texto editorial produzido pelo SeligaMT a partir de informações autorizadas.

Nota editorial: conteúdo publicado automaticamente a partir de fonte autorizada e sujeito a atualização pela equipe.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *